segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Demagogia barata

  A cada ano eleitoral um dos temas mais comentados é a educação, vista como prioridade por muitos, a única forma de se alcançar alguma mudança na sociedade. Parece consenso entre os demagogos de plantão que é necessário o "investimento" na educação para mudarmos o país e alcançarmos o desenvolvimento.
  Como eu disse, parece, pois as aparências enganam, veja o que acontece no Paraná, onde o vice governador é chamado enfaticamente de professor, o governo estadual anuncia cortes nas verbas de custeio das universidades, no caso da UEM, o corte foi maior que 50%, isso mesmo, eu não me enganei, vou repetir, corte maior que 50%, de 20 milhões passou para 8, ou seja, 12 milhões foram cortados!
  Agora, adivinha para quem sobrou a conta a ser paga? Para a população, para os alunos, que de forma mais imediata perderam bolsas trabalho, bolsas que, se não sustentavam, ao menos representavam um importante valor no orçamento para se manterem estudando. Você que não tem bolsa trabalho deve estar pensando o que eu tenho a ver com isso? Eu digo: tudo, ou acha que é só isso que será cortado? Você planeja fazer projeto de iniciação científica com bolsa? Seu curso precisa fazer uma saída de campo? Seu laboratório necessita de materiais novos? Pois é, meu caro, será um ano difícil para todos, provavelmente seu departamento deve estar contando as moedas neste momento.
  Então, estudantes da UEM e de outras universidades públicas do Paraná, ficaremos parados?
  Tais fatos demonstram a ofensiva feita pelo governo Richa e o ´PSDB à educação, pelo jeito ela não é vista como um investimento necessário para mudar o país, mas sim um custo, custo desnecessário que precisa ser contido. Enquanto isso as universidades privadas agradecem, devem estar adorando o sucateamento das instituições públicas, já contabilizam os lucros com os novos alunos que as procurarão, visto a falta de investimento nas universidades públicas, daí meu caro, você paga os impostos e a mensalidade para as empresas de ensino privado.
  Terminarei com um canto elaborado ano passado num ato feito pelos alunos do departamento de ciências humanas em frente à reitoria: 
  "BOTA TIJOLO... BOTA CIMENTO... EDUCAÇÃO PRECISA DE INVESTIMENTO!
(... e não de demagogia barata em ano de eleição, algo que é facilmente desmascarado na vigência do mandato).

sábado, 21 de janeiro de 2012

Resumo não terminado

No velho flerte com a morte de um bom vivo
Desde que me lembro
Há algo que anda junto comigo
Não sei se é tristeza
Não sei se é inconformismo
Só sei que me derruba
Não sinto todas as dores do mundo
Mas as poucas que percebo já bastam para me derrubar
A cada dia achando um motivo para continuar
Nem todo doce é suficiente
Já não sinto o gosto do rum
Luto por quem?
Às vezes a causa parece perdida
Mas a esperança se renova até a próxima esquina
Sempre no lugar errado esperando oportunidade
Sempre com as pessoas erradas, nunca conheci as certas
Talvez elas se escondam de mim
Talvez porque são chatas
Os insanos e perturbados me agradam, eles que me cercam
Fora normais!
É tão difícil ouvir o sim
Quase acostumado a ouvir somente não
Mas o costume não diminui a dor
A cada um parece mais difícil
Mas ainda estou vivo
Invejo os alienados
Já não tenho como nunca tive aquele sorriso espontâneo de completa felicidade
Só sai aquele de irônico e que parece de louco
Ao som do que é mais depressivo, que me me parece familiar
Ainda não vendi a alma ao diabo, mas já conheci o inferno, lugar divertido
Não seja tão sincero, descobri que os outros não gostam
Faça o que der vontade, mas aguente as consequências
Caso contrário, pare de brincar
Nem sei porque fiz isso
Motivo nunca foi necessidade
Eu mesmo tenho nojo do lado romântico, mas não consigo abandoná-lo
Não sou o mais requisitado, é normal ser abandonado
Esquecido por nunca ter presença
Conheço uns poucos, mas logo os deixo, espero que isso termine
Espero que termine também o maldito capitalismo
Mas o resto fica pra outra história
Essa foi mais uma que saiu do baralho
Aliviou a mente
E transcendeu a palavra

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Maringá, eu não vejo melhorar

  Neste fim de ano a prefeitura de Maringá exibe uma propaganda falando das melhorias na cidade, que foram construídas várias coisas, postos de saúde reformados e novos entregues, tudo sob o slogan: Maringá, a gente vê melhorar... ou algo assim.
  Mas o problema consiste justamente no fato de só vermos obras e mais obras, se bem que nem são tantas assim, se investe só naquilo que é bem visível, em prédios, estradas e afins, coisas que possam levar uma placa com o nome de diversos secretários, políticos e obviamente a gestão responsável por aquela bem feitoria.
  O mais curioso destas propagandas é que elas surgem, geralmente, em épocas próximas ao ano eleitoral- é pessoal! Ano que vem teremos eleições municipais, não se esqueçam deste pequeno detalhe, é preciso fazer campanha bem cedo, lembrar a todos as melhorias feitas na cidade por meio do dinheiro público antes que a lei eleitoral vete por conta da proximidade com a eleição.
  A prefeitura poderia se desculpar pelo que deixou de fazer também, seria justo, lembrar que faltam médicos, funcionários na área administrativa, lembrar que faltam enfermeiras, lembrar que equipes estão paradas por falta de condições de trabalho, enfim, isso obviamente seria suicídio e parece que a população não lembra do serviço imundo que recebe, mas lembra do prédio novo na esquina, também, é só isso que é lembrado pelas gestões governamentais.
  Quem conhece um pouco o que é e como funciona a estrutura municipal consegue perceber que Maringá não melhora tanto assim a cada ano, há muito a fazer, mas parece que os políticos não percebem e não conhecem direito sua própria cidade ou simplesmente fingem.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Primeiras impressões

  Passaram-se duas semanas desde que comecei a trabalhar em um posto de saúde na cidade de Maringá, lido com burocracia, seres humanos necessitados e histórias, muitas histórias, algumas coisas logo se tornam evidentes neste pequeno lapso de tempo e outras se delinearão com mais tempo.
  O mais óbvio é o perfil econômico das pessoas que procuram a unidade de saúde básica gratuita, aquelas que têm poucos recursos e dependem exclusivamente do sistema público de saúde, embora apareçam, de vez em quando, pessoas com receitas particulares tentando conseguir medicamentos.
  Percebi que o coração viverá apertado, vendo situações de extrema urgência e não podendo fazer nada além de encaminhar a pessoa a um especialista ou para um exame que levará meses para ser realizado, a burocracia que era para ser tão eficiente atrapalha muito o bom andamento do sistema de saúde, uma palavra escrita errada ou um pequeno detalhe esquecido num papel pode custar muito caro a quem tanto precisa, sente-se o peso do que realmente é responsabilidade, algo que pode custar a saúde de alguém, embora para quem está habituado ao que se passa lá pareça tudo mais simples, não que eles não se importem, mas parece que já viram o suficiente para seguir em frente com tranquilidade.
  No meio de tudo que ocorre no posto de saúde, nestes primeiros dias, o que me chamou a atenção foi a grande quantidade de jovens grávidas dando entrada no pré-natal, fazendo consultas com o ginecologista por conta da gravidez ou acompanhamento pós-parto, grande quantidade de crianças levando suas crianças recém nascidas para acompanhamento com o pediatra, sem contar os exames de gravidez que pedem para que se veja no sistema o resultado, obviamente aflitas, chegam a comemorar quando o resultado é negativo.
  As mais diversas estatísticas negativas parecem se concentrar no mesmo lugar, casos que dão a noção da realidade e o choque com o que é observado, as estatísticas vistas na realidade e não numa planilha são muito mais preocupantes e apavorantes, pois envolvem seres humanos e não números, muitos sentimentos se misturam, mas a indignação e a revolta com a sociedade trágica que construímos são os mais presentes. 
  Em suma, muitas experiências vêm por aí, pelo jeito só confirmarão e darão maior noção do que é a podridão da sociedade que construímos, que não consegue atender os mais necessitados, que trava a possibilidade de cura de alguém por conta de uma vírgula fora do lugar, porque sai mais caro ou a licitação não saiu a pessoa terá que sofrer, não se atende alguém porque as vagas são limitadas, pessoas madrugam para conseguir uma simples consulta, enfim, são muitos casos, muitas histórias preocupantes onde as chances de um final feliz são pequenas ou ele só virá depois de um longo processo.
  

sábado, 10 de dezembro de 2011

Minha Dama

Ela não é física, mas é constante em minha vida
A gente vai e volta
No fim, ela sempre me acompanha
Parece o meu lado mais negro e sombrio (talvez porque o seja)
Não tem nome nem sobrenome
Mas eu a conheço bem
Faz parecer tudo perdido
Me inferniza
Mas representa parte do que sou
Do que fizeram comigo
Mas é tão compreensiva
Ela só me incentiva
Vive dizendo: vai em frente
E eu resisto
Lá se foram muitos anos
Nada parece mudar
Qualquer problema e ela logo está ao meu lado
Ó grande companheira
Não vai me abandonar
Continuamos a vida insana
Só mais um remédio que não vai funcionar
Mas eu pretendo ficar
Para minha dama
Aquela que sempre me acompanha
Feliz a delirar
E insiste em continuar a pairar no ar
Não revelo identidade
Seria crueldade
Em nada iria ajudar
Até breve minha querida
Nunca é uma despedida
Eu sei que estará lá
Mais um texto sobre ti
Cuja identidade levarei
Ninguém precisa compartilhar
Este foi para te fazer passar

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Quanta loucura!

  Certo dia, estava eu a folhear umas revistas, que momento lamentável aliás, pois eram revistas como a Veja e Isto É que estavam na sala, no meio de tantas propagandas e coisas desinteressantes havia uma reportagem que me chamou a atenção pelo lado cômico, ao menos eu achei isso. Enfim, era uma reportagem sobre novas profissões e uma das profissões era sobre pessoas que procuram a  cara-metade para clientes que as contratam.
  Na momento eu pensei: quanta loucura! E ri de trágico que isso me pareceu.
 Nunca pensei que existiria esse tipo profissão, a que ponto estamos chegando, não temos tempo de conhecer pessoas, segundo a reportagem, quem procura este tipo de serviço são pessoas que têm uma vida atarefada e sem tempo para nada, ou seja, eu diria que são pessoas sem tempo de viver.
  Isso me lembrou um monte de outras profissões que eu acho estranhas, como aquelas que ensinam etiqueta e de como se vestir, onde fica a espontaneidade, onde fica a vontade própria, possivelmente, na lata do lixo. Tudo bem que pessoas sobrevivem destas profissões, mas elas representam o ápice da coerção para que alguém se adeque às normas sociais e da pressão que as pessoas sentem para se enquadrar, só porque alguém falou que algo é certo não significa que é bom ou tem a ver com você.
  Mas não sei bem o que pensar disto, apenas fica a breve reflexão sobre profissões que fazem aquilo que mexe com o que é mais pessoal de cada um, sua vida amorosa, sua roupa, sua maneira de ser. Se todos procurassem um personal alguma coisa para fazer tudo, provavelmente o mundo seria mais chato, acho que é a única coisa certa, imagina todos esquadrinhados conforme a tendência da estação.

  

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Democracia representativa

  Quando caiu a ditadura, a maioria ficou feliz com a abertura política e a vinda da tão sonhada democracia representativa.
  Mas, será que a democracia não se tornou outro tipo de ditadura? Todos estão realmente representados no atual sistema político? Democracia só representa participação popular a cada dois anos no período eleitoral?
  A democracia nos livrou de uma repressão ditatorial, mas ainda assim, poucos continuam no poder, o atual sistema favorece a quem tem poder econômico e pode levar suas propostas a mais gente.
  Vemos sempre os mesmos ocupando cargos no poder político, tanto localmente quanto nacionalmente, é culpa do povo que vota? Penso que não, os mesmos permanecem no cenário político porque têm poder, têm recursos, aparecem na mídia e contam com bons parceiros na sociedade. Tais sujeitos sufocam as outras opções de voto, controlam o que está a seu alcance para se perpetuarem.
  Se tornou um lugar comum ouvirmos dizer que os políticos devem trabalhar para o bem geral, para o bem coletivo e não apenas para seus eleitores. Me parece que nem para seus eleitores os políticos trabalham, na verdade, agem de acordo com seus patrocinadores de campanha. Pessoas e instituições não financiam um político por bondade, por altruísmo, mas sim, porque esperam algum retorno, um benefício compensatório pela ajuda prestada. Desse modo, a política que era para ser pública, acaba se tornando uma balcão de negócios do meio privado, o interesse particular prevalece e parece que ninguém se importa com isso. 
  No fim, o que tudo indica, é que temos a democracia para poucos, para aqueles que conseguem e sabem utilizar o sistema defeituoso a seu favor, tornam o seu interesse em público, como se fosse de todos.
  Quando parece que algo é feito em benefício popular, muitas vezes esconde a ideia futura de um novo mandato e o prestígio necessário a seus fins. Talvez, um dia, o povo consiga aproveitar melhor tudo que envolve o enredo político.
  Por quanto tempo ainda teremos uma "pseudo-democracia"? Não tenho a resposta, não sou vidente ou algo do tipo, mas entendo que precisamos rever a política atual, não diria para chegarmos à perfeição, mas, ao menos deixá-la mais justa, mais aberta, realmente mais democrática e não apenas na ridícula aparência atual.