domingo, 2 de setembro de 2012

Ler e escrever

  Faz bastante tempo que comecei a me interessar por leitura. Algo marcante para mim e que me recordo como minha iniciação no mundo da leitura ocorreu na segunda série, em função da professora que nos incentivava a ler, daquela época, lembro dos livros da Ruth Rocha e de como a professora adorava esta autora, sem contar as histórias que trazia para a sala de aula.
  Caso eu não esteja esquecendo de alguma coisa, depois de ter minha "iniciação" com os livros da Ruth Rocha, logo passei para os livros didáticos, afinal de contas eram os que estavam mais próximos para a leitura na escola. Aliás, me interessei mais pelos livros didáticos de história e geografia, mas não abandonei a literatura, foram coisas que caminharam lado a lado.
  Quando me mudei para Santa Catarina, o acesso ao livro ficou mais fácil, tive mais contato com a biblioteca pública do município, no início, procurava o local para fazer pesquisas referentes às aulas e aos poucos fui pegando outros tipos de leituras com maior frequência.
   No ano de 2009 comecei a estudar para o vestibular, o foco foi o material para a prova, daquele ano em diante abandonei a literatura e fiquei restrito aos livros que continham conteúdo que seria cobrado no exame. Depois acabei passando no vestibular, desde então o foco tem sido o conteúdo do curso, acabei retomando as leituras de literatura apenas para fazer trabalhos ou estudar algo relacionado às disciplinas. 
  O hábito de escrever por querer e não por obrigação escolar veio só mais tarde, isso ocorreu lá por 2009, embora tenha começado pela necessidade de praticar a escrita para a redação do vestibular, o importante é que a prova passou mas o costume ficou. A princípio, escrevia em folhas e as guardava, mas isto fazia sentido apenas para mim, visto que ninguém lia, não havia uma troca. Finalmente criei o blog e tornei públicos os meus textos, mesmo assim, não posto todos e escrevo aqui só quando dá vontade ou lembro, os que não posto são textos para estudo próprio, além das ideias que surgem para textos, mas acabo não escrevendo por vários motivos(às vezes não anoto a ideia e acabo esquecendo).
  Escrevo hoje por prazer, é quase uma terapia ocupacional, ajuda a distrair, organizar ideias, refletir, me comunicar melhor, se tornou algo maior que uma obrigação, faz parte da minha vida, independentemente do que venha a fazer no futuro, não me imagino mais sem o hábito da escrita.
  Considero a passagem da professora Lucinda, durante a segunda série, pela minha vida como algo fundamental para tudo isso, a partir dali veio todo o resto, por este incentivo ela ficará para sempre em minha memória, mesmo não tendo mais contato com ela,  foi alguém importante que impactou diretamente minha trajetória. Obviamente que mais tarde isso poderia ocorrer de outra maneira, mas é o que tenho marcado desde então.
  Sei que hoje as condições para quem trabalha com educação não estão fáceis, nas mais diversas camadas,  desde o ensino básico até a graduação, salários defasados, condições de trabalho ruins e todas as especificidades de cada área, educação é prioridade na teoria, na prática fica para segundo ou terceiro plano para os governos.
  O trabalho do professor continua sendo fundamental para alterar os rumos de muitas vidas, que a sociedade abra os olhos e cobre por mais investimento na educação, para que mais vidas sejam alteradas para melhor, todos precisam lutar por uma educação pública, gratuita e de qualidade, com a valorização dos professores e demais profissionais da área que fazem tudo acontecer, embora não possa se restringir a isso o investimento em educação, há necessidade de toda uma estrutura que pode ser tema de outro texto. 

O inferno deve ser legal

  Não professo uma fé, não baseio minhas ações numa preocupação entre ir para o inferno ou ir para o céu, se estou agradando alguma divindade ou me aproximando de uma parte perigosa da espiritualidade que muitos acreditam.
  Apesar do que mencionei acima, vivo em uma realidade religiosa, estou cercado de cristãos que acreditam em um deus, anjos e santos, que representam a parte boa da história; pessoas que acreditam em um diabo e o inferno, que seriam o lado mau de tudo que há no mundo. Por conta disso, vira e mexe estou imaginando como seria o céu e o inferno, como mencionei, fico imaginando, nunca li a bíblia para ter uma compreensão exata de como os religiosos veem isso.
  Mas penso, no senso comum do qual faço parte, o céu é o paraíso, pessoas boas estão lá, o que não quer dizer que sejam legais, sujeitos que praticaram boas ações durante suas vidas, ou seja, em linhas gerais, ajudaram os outros sem interesses, fizeram sexo só depois do casamento, não caluniaram os outros, não fizeram fofoca, enfim, uma enormidade de boas condutas, uma vida reta. Se bem que no caso católico existe a confissão para remissão dos pecados.
  Já no inferno, estão pessoas más, que mataram, roubaram, se suicidaram, curtiram a vida de forma irresponsável, fizeram sexo antes do casamento(se é que se casaram algum dia), enfim, cometeram desde grandes atrocidades até pequenas irresponsabilidades. Na realidade, tirando os casos extremos, boa parte das almas que se encontram neste campo aproveitaram a vida, claro que podemos julgá-las se sua felicidade não era artificial ou outro ponto de vista moral.
  Posto tudo isso, penso que o céu deve ser um porre de desagradável, pessoas recatadas deveriam estar lá, as que seguiram os bons costumes e seguiram suas vidas medíocres, evidentemente sempre há a exceção. Enquanto isso, no inferno, que deve ser quente pra chuchu e um pouco sofrido, encontramos pessoas divertidíssimas, que fizeram orgias, estavam pouco ligando para regras morais vigentes, que se mataram ou eram ateus, mas que foram gênios na terra. Fico imaginando como seria legal conversar com Marx no inferno, ouvir o Kurt, a Amy, acho que já deu para entender onde quero chegar.
  Lembrando que este texto não segue uma lógica ancorada no real, apenas um exercício de imaginação, muito menos consultei os livros sagrados cristãos para saber o que dizem a respeito, também não era essa a minha intenção, só queria devanear um pouco. Na verdade, este texto dever ser um dos piores que já escrevi, fui pouco esclarecedor na construção dos pontos, mas também não estava nem aí. Algo para se considerar e rir, imagine isso!



Mais uma madrugada

  O relógio marca exatamente três horas, cinquenta minutos e cinco segundos da manhã, mais uma madrugada que se passa em claro, não posso dizer que o sono não veio, porque até que ele tentou me convencer a ir para a cama, mas minha consciência não quis, deliberadamente ela preferiu ficar alerta e pensando mais uma vez sobre tudo que me trouxe até aqui, tudo isso depois de mais um dia frustrante. Caro leitor, se você está feliz, sugiro que não termine de ler este texto, vá fazer outra coisa, sei lá, vai jogar xadrez ou ouvir uma música, há coisas melhores para se fazer, trata-se aqui de um pessimista.
  Me considero um pessimista, vejo tudo pelo lado mais negativo, vivo pensando no que pode dar errado e vai dar errado, dificilmente me coloco para cima, tendo a me levar para baixo. Mas, apesar disso, sei que no fundo sou um otimista, me permitirei a contradição, pois quem é comunista, jamais será um tremendo pessimista. Por favor, sem aquele papinho de que falta deus no coração, no meu caso, claramente é isso, uma vez que sou ateu, mas nem por isso saio matando, roubando, xingando, sendo mal educado. Preferência religiosa não define caráter.
  Certas coisas não conseguimos explicar, meu estado de amargura, desânimo e tristeza vem desde pequeno, desde que tenho memória ou consciência do que faço não me lembro de ter muitos dias felizes, minha instabilidade não é de hoje, minha ansiedade não é de agora, vêm de tempos distantes, não me recordo do "trauma"(se é que ele existiu) que desencadeou tudo isso. Percebem por que não fico falando disso o tempo todo, cansa, não é? Mas também acho chato demais essa coisa de ter que parecer feliz o tempo todo, isso também cansa. Só espero poder rir quando quero e chorar quando desejo.
  Por muito tempo adorei a solidão, ainda gosto bastante dela, trata-se de algo muito útil, ficar rodeado de gente o tempo todo é uma porcaria. Mas ela, a solidão, tem me incomodado. Com raras exceções, fico pouco à vontade para convidar alguém para fazer algo, sinto que não tenho intimidade o suficiente, dificilmente sei quando é um bom momento, há uma dificuldade em decifrar certos aspectos da convivência, acho que me falta um certo tato social. No fim, gosto dos programas mais monótonos, ficar conversando já é uma grande coisa, sempre descubro ou percebo algo interessante, parece impossível qualquer conversa não levar a nada, mesmo que seja um motivo para riso. Faz tempo que não fico sentado numa calçada jogando conversa fora, sem tempo ou preocupação para acabar, pensar nisso me leva a ter inveja de crianças que se divertem sozinhas com qualquer coisa e lembrar de velhos amigos da infância e adolescência.
  Devo desculpas a um monte de gente, pessoas que gostam de mim, mas que acabo tratando mal em momentos de loucura ou inconstância, provavelmente nunca lhes pedirei perdão, não sei se é por falta de vergonha na cara, mas também é algo difícil, às vezes nem consigo pedir um pão na padaria, embora esse lado tenha melhorado, também me surpreendo quando falo algumas coisas, mesmo sem jeito e de forma embaraçosa em algumas situações.
  Também percebo que tenho ficado cada vez mais chato, mas talvez isso passe, espero, senão as coisas ficarão mais desanimadoras. 
  Não sou de contar histórias felizes, a minha mesmo é um exemplo, as dramáticas me encantam mais, talvez seja identificação, mas reconheço que tenho tudo para melhorar, falta entender de onde vem tamanho desconforto, de onde brotam sentimentos confusos de forma tão constante, estou obstinadamente em busca de respostas, mas ainda não foram encontradas, tendo a pensar que nunca serão e essa possibilidade é maior, embora no fundo, mas lá no fundo mesmo, guarde a esperança de que haverá uma luz no fim do túnel, caso contrário já teria acabado com esta palhaçada toda. Mesmo assim vou vivendo. 

sábado, 11 de agosto de 2012

PELA PALESTINA LIVRE!

Um tiro
Um inocente
Uma morte
Agora, multiplique aos milhares


Mais uma mãe que chora
Mais um pai que enterra
Mais um filho que morre
Mais uma guerra apoiada e financiada


Corações despedaçados
Casas em chamas
Ninguém veio para ajudar
A ilusão está armada
Esconde-se tudo que se passa

Ocupação
Colonização
Higienização
Ideologia
Racismo
Sionismo

Existe um povo desalojado em sua própria terra
Não há direito
Apenas preconceito
Eis a nova separação

Trata-se de mais uma luta
Pela liberdade, pela igualdade
Luta por autonomia
Luta por um Estado!

O mundo precisa apoiar
A humanidade tem de almejar
Temos de pressionar

Pela terra ao seu povo
Pelo Estado a quem é de direito
Por uma nação que precisa de paz

PELA PALESTINA LIVRE!


Assista para entender melhor do que se trata: http://www.youtube.com/watch?v=oqPpk9sauNk



sábado, 4 de agosto de 2012

Caminhada

  Ele saiu caminhando, não havia nada específico em mente, apenas não havia nada para fazer, só o desejo incontrolável de sair dali. Acendeu seu cigarro, a fumaça saia pela boca, os pensamentos iam e vinham, tantas divagações. Nada como a caminhada  que espairece!
  Não havia música no local, triste constatação, mas no entanto a mente reproduzia algo, não tinha muitos versos decorados, a maioria se confundia em meio a tantas canções, de tantos estilos, mas em comum as letras que falavam de amor, possivelmente o tema mais trabalhado pelos poetas de plantão que transformam poesia em som. Aliás, amor nunca foi seu forte, o azar lhe acompanha certo como uma manhã gelada no inverno, nada sabe o que pensar a respeito, talvez seja um chato, talvez lhe falte maior contato social e desenvoltura para falar, ele nunca chegou a uma conclusão, pobre infeliz.
  Repentinamente para de pensar no amor, começa a refletir sobre a realidade, mais especificamente aquilo que o cerca e as seus camaradas, alguns libertários mal conhecem a realidade, não percebem seu autoritarismo na busca pela liberdade, mas também identifica vários erros nas percepções daqueles que lhes são mais próximos, pensa que também está longe da verdade, embora ela possa ser disputada, mas não gosta de cair no relativismo que a tudo permite, até a maior das barbaridades, afinal, neste prisma tudo é aceitável e mal argumentado, mesmo disfarçado.
  Cessa um pensamento mais elaborado, volta a lembrar de mais uma canção, daquelas que trazem uma boa sensação, daquelas que caem no clichê de não haver palavras para explicar o que se sente, se sabe apenas que é muito bom, mas na frente de uma psicóloga todos se veem forçados a exprimir tudo aquilo que sentem em palavras, frases, parágrafos e textos completos com início, meio e fim.
  Já se passaram, aproximadamente, trinta minutos de caminhada, o trajeto continua incerto, mesmo conhecendo cada beco da cidade e onde eles darão, na verdade, o trajeto é o que menos importa neste tipo de caminhada, não se trata de esporte, não se trata de uma meta, muito menos de saber quanto tempo ou qual a distância até um lugar qualquer; no fim, se trata de uma caminhada da compreensão, para colocar as ideias no lugar, o que acontece, na maioria das vezes, é surgirem mais dúvidas que certezas, mas de forma estranha isso acalma, não diria que traz felicidade, mas alívio por esquecer de muita coisa e ter seu próprio tempo, mesmo em meio a tantos que perambulam pelas vielas, estar na multidão é estar sozinho também.
  Essa caminhada pode ocorrer em qualquer lugar, outra importante característica é não ter dia e horário específicos, o que importa é bater a vontade de se libertar ilusoriamente. No meio do caminho passa uma linda menina, mas ele não vai olhar, este não é o objetivo, o máximo que ocorre é pensar: que linda! E logo volta a divagar.
  Qualquer coisa é motivo para rir, parece o retorno da inocência, ele fica mais dócil, a maioria que o percebe deve pensar que é louco, anda por aí rindo, com cara de bobo, mesmo o momento não significando propriamente uma comédia, do que tanto ri? Acho que nem ele sabe. Neste momento tudo o encanta, a percepção das coisas muda, sua imaginação aflora, o que sabidamente não é seu forte, ainda lembrando das músicas que não sabe de cor começa a imaginar a materialização dos versos, a música que fala da garota lhe faz ver a própria em sua frente, até parece que foi ele quem escreveu tamanha a riqueza de detalhes.
  Os momentos de devaneios passam depois de um tempo, enquanto espera a próxima música tocar em sua cabeça, novamente pensa em sua realidade, nas milhares de coisas que tem de fazer e sempre parece que não vai dar conta, tenta sistematizá-las para a semana; depois pensa  em sua solidão, em como é lembrado somente quando precisam dele, para os momentos de descontração ele fica de lado, mas também não faz questão de se expor, embora sempre se arrependa, pode ser que seja má companhia e não percebe.
  Sua caminhada dura bastante tempo, anda prolongadamente, mesmo em ritmo lento. Chega um momento em que cansa de tudo aquilo e resolve voltar para casa, chega com uma cara boa, mas também preocupada, não gosta que perguntem o que estava fazendo, de alguma maneira isso o irrita, mas com certeza muitas caminhadas ainda o aguardam, seja daqui um mês ou uma semana, este desejo certamente voltará e mais uma vez será importante para que tudo volte ao lugar, mesmo que realmente nada mude, o prazer da ilusão lhe é satisfatório. 
  Eis que o sujeito chega à sua casa, cansado, contente, reflexivo, magoado e tantas outras coisas mais que se misturam. Volta para sua família, a rotina lhe aguarda entusiasmada e a vida que segue depois de mais uma caminhada. 
 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Impressões do ENECS

Eles se encontram
Alguns para lutar
Organizar e articular
Ideias em debate
Ideias em combate
Hegemonia em disputa

Alguns vêm para aprender
Entender o que se passa
Perceber o que há por trás da carapaça

Comunistas, socialistas, anarquistas, petistas e até psdbistas
A esquerda predomina, embora dividida
Um brinde à ela, quem sabe um dia integrada
Cuidado com a direita!

Mas nem tudo é disputa
Nem tudo é política
Nem tudo é seriedade
Que venha a espontaneidade!

Alguns vêm para curtir
Festa até amanhecer
Não importa o alvorecer
Existe festa, alegria, poesia e putaria

Manifesta-se a cultura
É o Norte, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Sudeste
Ouve-se mano, tchê e trem
Do rock ao pop em menos de um minuto
Amplia-se seu mundo

Sem esgotar a realidade
Esta foi apenas uma parte
De tudo que ocorreu
Nem tudo é transcrito
Nem tudo é percebido
Fica aqui meu manuscrito



domingo, 17 de junho de 2012

O House tem a perna, eu tenho a ansiedade e alguém pode ter outra coisa

  Não me lembro ao certo, mas quando comecei a assistir o seriado Dr. House ele já devia estar na quarta temporada. Também não lembro o que me fez parar na frente da televisão e assistir o programa, só sei que me tornei um viciado na série, depois daquele dia, acompanhei toda a temporada e resgatei as passadas para me atualizar.
  Me identifico com a série, com o personagem do médico esquisito que tem problemas em manter interações sociais e de comportamento complicado, fora dos padrões de riso a todo momento. Aliás, não é só com ele, assisto outros programas que trazem gente esquisita, como Bones e Dexter. Pra quem me conhece, não é novidade a timidez e o jeito quieto no primeiro ano de contato, alguns demoram quinze minutos para se sentirem à vontade, eu costumo levar um ano, em média. Já me confessaram (e não foi um nem dois), que me viam, qualquer dia desses, entrando em sala e matando todo mundo, como já ocorreu em vários lugares do mundo, para mim, é motivo de muito riso, acho engraçado, ao menos é melhor que ficar ofendido.
  Mas não tenho só problemas em interagir com o público ou as pessoas ao meu redor, desde que me lembro problemas com ansiedade me acompanham. Não se trata daquela que qualquer um sente quando encara algo que considera importante, mas sim, de algo que me acompanha diariamente, até mesmo nas coisas mais pequenas e cotidianas, como a dor que o Dr. House encara todos os dias na sua perna, que o atormenta e influencia no seu humor, nas suas relações.
  Como a dor acompanhada na série, não posso dizer que só isso é responsável por tudo que sou, na verdade, ela pode ser até uma desculpa para muitas coisas que eu deixo de fazer, um motivo para se fazer de coitado e ficar esperando, mas na maioria das vezes ela atrapalha realmente, só quem tem uma dor crônica ou outro tipo de dificuldade constante sabe do que se trata (não falo da dificuldade que as pessoas encaram no seu cotidiano, de luta por sobrevivência e dignidade, se trata de algo diferente, que lhe atrapalha se somando a isso), você acorda e antes mesmo de perceber se é dia a ansiedade já está lá.
  Se engana quem pensa que ansiedade é só um sentimento ou sensação, para mim, ela significa também uma manifestação física, não quero citar tudo, pode ser constrangedor e meu desejo não é de suscitar pena, isto não ajudaria em nada, acho que só quero "denunciar" mais uma realidade que nem parece tão ingrata, mas pode ser bem sofrida. De repente, seus batimentos aceleram, você sua parado, seu corpo treme, o sono vai embora por dias, se concentrar exige mais esforço do que nunca, você fica acelerado, enfim, encerro por aqui, como já disse, se continuar poderá se tornar inconveniente. Imagine isso e algo mais todos os dias da sua vida, não existe cura, assim como não existe cura para a perna do Dr. House, desse modo, consigo compreender seu mau humor diário, assim como sua infelicidade.
  O mais estranho de tudo, como o médico do seriado que considera seu problema importante para estimulá-lo a pensar e trabalhar bem, penso que a ansiedade extremada também é útil para mim, antecipo, tento ser o mais racional possível para evitá-la e acabo me tornando eficiente em muitas coisas, mas sei que não sou só isso, ao menos, penso que não, espero ser mais que isso, senão sou apenas mais um viciado que acha que não pode viver sem sua droga, na realidade tento combater todos os dias a minha dama chamada ansiedade.
  Procurei esconder de todos os meus problemas, sempre, até mesmo dos mais próximos, tanto que procurei ajuda somente aos dezessete anos, depois de uma crise aguda, quando não mais sabia se suportaria levar a vida adiante. Assim como a dor do personagem, em alguns momentos a ansiedade se manifesta mais aguda, isso leva a um estado de tristeza maior do que o normal, nos leva a ficar simplesmente deitados, sem vontade de nada, até mesmo de viver. Nesses momentos, vejo como o seriado me ajudou, consigo ver isso no senhor Gregory House, pode ser difícil, mas a morte não resolve nada, embora pareça especialmente tentadora em muitos momentos. Nunca tinha visto alguém parecido comigo, tanto na personalidade como em ter problemas parecidos, vendo o seriado, por mais inocente que pareça, vi que não estava sozinho em um caminho amargurado, isso me deu força, me vi no personagem Dr. House, acho que vem daí tanto amor pelo programa e compreensão com o insuportável médico, inclusive tenho o Wilson na figura dos meus amigos gêmeos, compreensíveis demais com um louco que os atormenta.
  Lá se vão vinte anos convivendo com ansiedade, ou menos, porque tenho memória de uns cinco ou seis anos de idade pra frente, poderia escrever um livro sobre esta experiência diária e tudo que me ocorre por conta dela, mas no momento é isso. Depois de anos de sofrimento calado, resolvi compartilhar, não só com os próximos, mas de certa forma com o mundo, a minha história. Como o seriado, talvez isto ajude alguém a perceber que não está sozinho, embora o problema central possa ser diferente, talvez uma outra dor crônica ou problema permanente que lhe acompanhará pelo resto da vida, mas que não impeça de vivê-la, pois, assim como o House tem o problema da perna, eu tenho a ansiedade e alguém pode ter outra coisa.