Um tiro
Um inocente
Uma morte
Agora, multiplique aos milhares
Mais uma mãe que chora
Mais um pai que enterra
Mais um filho que morre
Mais uma guerra apoiada e financiada
Corações despedaçados
Casas em chamas
Ninguém veio para ajudar
A ilusão está armada
Esconde-se tudo que se passa
Ocupação
Colonização
Higienização
Ideologia
Racismo
Sionismo
Existe um povo desalojado em sua própria terra
Não há direito
Apenas preconceito
Eis a nova separação
Trata-se de mais uma luta
Pela liberdade, pela igualdade
Luta por autonomia
Luta por um Estado!
O mundo precisa apoiar
A humanidade tem de almejar
Temos de pressionar
Pela terra ao seu povo
Pelo Estado a quem é de direito
Por uma nação que precisa de paz
PELA PALESTINA LIVRE!
Assista para entender melhor do que se trata: http://www.youtube.com/watch?v=oqPpk9sauNk
Blog criado para refletir sobre as mais diversas temáticas. Quando possível, utilizando o bom humor, mas com o maior respeito possível.
sábado, 11 de agosto de 2012
sábado, 4 de agosto de 2012
Caminhada
Ele saiu caminhando, não havia nada específico em mente, apenas não havia nada para fazer, só o desejo incontrolável de sair dali. Acendeu seu cigarro, a fumaça saia pela boca, os pensamentos iam e vinham, tantas divagações. Nada como a caminhada que espairece!
Não havia música no local, triste constatação, mas no entanto a mente reproduzia algo, não tinha muitos versos decorados, a maioria se confundia em meio a tantas canções, de tantos estilos, mas em comum as letras que falavam de amor, possivelmente o tema mais trabalhado pelos poetas de plantão que transformam poesia em som. Aliás, amor nunca foi seu forte, o azar lhe acompanha certo como uma manhã gelada no inverno, nada sabe o que pensar a respeito, talvez seja um chato, talvez lhe falte maior contato social e desenvoltura para falar, ele nunca chegou a uma conclusão, pobre infeliz.
Repentinamente para de pensar no amor, começa a refletir sobre a realidade, mais especificamente aquilo que o cerca e as seus camaradas, alguns libertários mal conhecem a realidade, não percebem seu autoritarismo na busca pela liberdade, mas também identifica vários erros nas percepções daqueles que lhes são mais próximos, pensa que também está longe da verdade, embora ela possa ser disputada, mas não gosta de cair no relativismo que a tudo permite, até a maior das barbaridades, afinal, neste prisma tudo é aceitável e mal argumentado, mesmo disfarçado.
Cessa um pensamento mais elaborado, volta a lembrar de mais uma canção, daquelas que trazem uma boa sensação, daquelas que caem no clichê de não haver palavras para explicar o que se sente, se sabe apenas que é muito bom, mas na frente de uma psicóloga todos se veem forçados a exprimir tudo aquilo que sentem em palavras, frases, parágrafos e textos completos com início, meio e fim.
Já se passaram, aproximadamente, trinta minutos de caminhada, o trajeto continua incerto, mesmo conhecendo cada beco da cidade e onde eles darão, na verdade, o trajeto é o que menos importa neste tipo de caminhada, não se trata de esporte, não se trata de uma meta, muito menos de saber quanto tempo ou qual a distância até um lugar qualquer; no fim, se trata de uma caminhada da compreensão, para colocar as ideias no lugar, o que acontece, na maioria das vezes, é surgirem mais dúvidas que certezas, mas de forma estranha isso acalma, não diria que traz felicidade, mas alívio por esquecer de muita coisa e ter seu próprio tempo, mesmo em meio a tantos que perambulam pelas vielas, estar na multidão é estar sozinho também.
Essa caminhada pode ocorrer em qualquer lugar, outra importante característica é não ter dia e horário específicos, o que importa é bater a vontade de se libertar ilusoriamente. No meio do caminho passa uma linda menina, mas ele não vai olhar, este não é o objetivo, o máximo que ocorre é pensar: que linda! E logo volta a divagar.
Qualquer coisa é motivo para rir, parece o retorno da inocência, ele fica mais dócil, a maioria que o percebe deve pensar que é louco, anda por aí rindo, com cara de bobo, mesmo o momento não significando propriamente uma comédia, do que tanto ri? Acho que nem ele sabe. Neste momento tudo o encanta, a percepção das coisas muda, sua imaginação aflora, o que sabidamente não é seu forte, ainda lembrando das músicas que não sabe de cor começa a imaginar a materialização dos versos, a música que fala da garota lhe faz ver a própria em sua frente, até parece que foi ele quem escreveu tamanha a riqueza de detalhes.
Os momentos de devaneios passam depois de um tempo, enquanto espera a próxima música tocar em sua cabeça, novamente pensa em sua realidade, nas milhares de coisas que tem de fazer e sempre parece que não vai dar conta, tenta sistematizá-las para a semana; depois pensa em sua solidão, em como é lembrado somente quando precisam dele, para os momentos de descontração ele fica de lado, mas também não faz questão de se expor, embora sempre se arrependa, pode ser que seja má companhia e não percebe.
Sua caminhada dura bastante tempo, anda prolongadamente, mesmo em ritmo lento. Chega um momento em que cansa de tudo aquilo e resolve voltar para casa, chega com uma cara boa, mas também preocupada, não gosta que perguntem o que estava fazendo, de alguma maneira isso o irrita, mas com certeza muitas caminhadas ainda o aguardam, seja daqui um mês ou uma semana, este desejo certamente voltará e mais uma vez será importante para que tudo volte ao lugar, mesmo que realmente nada mude, o prazer da ilusão lhe é satisfatório.
Eis que o sujeito chega à sua casa, cansado, contente, reflexivo, magoado e tantas outras coisas mais que se misturam. Volta para sua família, a rotina lhe aguarda entusiasmada e a vida que segue depois de mais uma caminhada.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Impressões do ENECS
Eles se encontram
Alguns para lutar
Organizar e articular
Ideias em debate
Ideias em combate
Hegemonia em disputa
Alguns vêm para aprender
Entender o que se passa
Perceber o que há por trás da carapaça
Comunistas, socialistas, anarquistas, petistas e até psdbistas
A esquerda predomina, embora dividida
Um brinde à ela, quem sabe um dia integrada
Cuidado com a direita!
Mas nem tudo é disputa
Nem tudo é política
Nem tudo é seriedade
Que venha a espontaneidade!
Alguns vêm para curtir
Festa até amanhecer
Não importa o alvorecer
Existe festa, alegria, poesia e putaria
Manifesta-se a cultura
É o Norte, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Sudeste
Ouve-se mano, tchê e trem
Do rock ao pop em menos de um minuto
Amplia-se seu mundo
Sem esgotar a realidade
Esta foi apenas uma parte
De tudo que ocorreu
Nem tudo é transcrito
Nem tudo é percebido
Fica aqui meu manuscrito
Alguns para lutar
Organizar e articular
Ideias em debate
Ideias em combate
Hegemonia em disputa
Alguns vêm para aprender
Entender o que se passa
Perceber o que há por trás da carapaça
Comunistas, socialistas, anarquistas, petistas e até psdbistas
A esquerda predomina, embora dividida
Um brinde à ela, quem sabe um dia integrada
Cuidado com a direita!
Mas nem tudo é disputa
Nem tudo é política
Nem tudo é seriedade
Que venha a espontaneidade!
Alguns vêm para curtir
Festa até amanhecer
Não importa o alvorecer
Existe festa, alegria, poesia e putaria
Manifesta-se a cultura
É o Norte, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Sudeste
Ouve-se mano, tchê e trem
Do rock ao pop em menos de um minuto
Amplia-se seu mundo
Sem esgotar a realidade
Esta foi apenas uma parte
De tudo que ocorreu
Nem tudo é transcrito
Nem tudo é percebido
Fica aqui meu manuscrito
domingo, 17 de junho de 2012
O House tem a perna, eu tenho a ansiedade e alguém pode ter outra coisa
Não me lembro ao certo, mas quando comecei a assistir o seriado Dr. House ele já devia estar na quarta temporada. Também não lembro o que me fez parar na frente da televisão e assistir o programa, só sei que me tornei um viciado na série, depois daquele dia, acompanhei toda a temporada e resgatei as passadas para me atualizar.
Me identifico com a série, com o personagem do médico esquisito que tem problemas em manter interações sociais e de comportamento complicado, fora dos padrões de riso a todo momento. Aliás, não é só com ele, assisto outros programas que trazem gente esquisita, como Bones e Dexter. Pra quem me conhece, não é novidade a timidez e o jeito quieto no primeiro ano de contato, alguns demoram quinze minutos para se sentirem à vontade, eu costumo levar um ano, em média. Já me confessaram (e não foi um nem dois), que me viam, qualquer dia desses, entrando em sala e matando todo mundo, como já ocorreu em vários lugares do mundo, para mim, é motivo de muito riso, acho engraçado, ao menos é melhor que ficar ofendido.
Mas não tenho só problemas em interagir com o público ou as pessoas ao meu redor, desde que me lembro problemas com ansiedade me acompanham. Não se trata daquela que qualquer um sente quando encara algo que considera importante, mas sim, de algo que me acompanha diariamente, até mesmo nas coisas mais pequenas e cotidianas, como a dor que o Dr. House encara todos os dias na sua perna, que o atormenta e influencia no seu humor, nas suas relações.
Como a dor acompanhada na série, não posso dizer que só isso é responsável por tudo que sou, na verdade, ela pode ser até uma desculpa para muitas coisas que eu deixo de fazer, um motivo para se fazer de coitado e ficar esperando, mas na maioria das vezes ela atrapalha realmente, só quem tem uma dor crônica ou outro tipo de dificuldade constante sabe do que se trata (não falo da dificuldade que as pessoas encaram no seu cotidiano, de luta por sobrevivência e dignidade, se trata de algo diferente, que lhe atrapalha se somando a isso), você acorda e antes mesmo de perceber se é dia a ansiedade já está lá.
Se engana quem pensa que ansiedade é só um sentimento ou sensação, para mim, ela significa também uma manifestação física, não quero citar tudo, pode ser constrangedor e meu desejo não é de suscitar pena, isto não ajudaria em nada, acho que só quero "denunciar" mais uma realidade que nem parece tão ingrata, mas pode ser bem sofrida. De repente, seus batimentos aceleram, você sua parado, seu corpo treme, o sono vai embora por dias, se concentrar exige mais esforço do que nunca, você fica acelerado, enfim, encerro por aqui, como já disse, se continuar poderá se tornar inconveniente. Imagine isso e algo mais todos os dias da sua vida, não existe cura, assim como não existe cura para a perna do Dr. House, desse modo, consigo compreender seu mau humor diário, assim como sua infelicidade.
O mais estranho de tudo, como o médico do seriado que considera seu problema importante para estimulá-lo a pensar e trabalhar bem, penso que a ansiedade extremada também é útil para mim, antecipo, tento ser o mais racional possível para evitá-la e acabo me tornando eficiente em muitas coisas, mas sei que não sou só isso, ao menos, penso que não, espero ser mais que isso, senão sou apenas mais um viciado que acha que não pode viver sem sua droga, na realidade tento combater todos os dias a minha dama chamada ansiedade.
Procurei esconder de todos os meus problemas, sempre, até mesmo dos mais próximos, tanto que procurei ajuda somente aos dezessete anos, depois de uma crise aguda, quando não mais sabia se suportaria levar a vida adiante. Assim como a dor do personagem, em alguns momentos a ansiedade se manifesta mais aguda, isso leva a um estado de tristeza maior do que o normal, nos leva a ficar simplesmente deitados, sem vontade de nada, até mesmo de viver. Nesses momentos, vejo como o seriado me ajudou, consigo ver isso no senhor Gregory House, pode ser difícil, mas a morte não resolve nada, embora pareça especialmente tentadora em muitos momentos. Nunca tinha visto alguém parecido comigo, tanto na personalidade como em ter problemas parecidos, vendo o seriado, por mais inocente que pareça, vi que não estava sozinho em um caminho amargurado, isso me deu força, me vi no personagem Dr. House, acho que vem daí tanto amor pelo programa e compreensão com o insuportável médico, inclusive tenho o Wilson na figura dos meus amigos gêmeos, compreensíveis demais com um louco que os atormenta.
Lá se vão vinte anos convivendo com ansiedade, ou menos, porque tenho memória de uns cinco ou seis anos de idade pra frente, poderia escrever um livro sobre esta experiência diária e tudo que me ocorre por conta dela, mas no momento é isso. Depois de anos de sofrimento calado, resolvi compartilhar, não só com os próximos, mas de certa forma com o mundo, a minha história. Como o seriado, talvez isto ajude alguém a perceber que não está sozinho, embora o problema central possa ser diferente, talvez uma outra dor crônica ou problema permanente que lhe acompanhará pelo resto da vida, mas que não impeça de vivê-la, pois, assim como o House tem o problema da perna, eu tenho a ansiedade e alguém pode ter outra coisa.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
1º Marcha das Vadias em Maringá
Como a maioria dos textos que falam da Marcha da Vadias, poderia começar situando o leitor do que se trata esta marcha, onde começou e por quais motivos, antes que a palavra vadia possa ser mal interpretada; mas este não é meu objetivo com o texto, acredito que na internet seja fácil encontrar as informações referentes à marcha em âmbito geral (se informar devidamente é preciso, cuidado com suas fontes!). Mas quero falar das minhas impressões sobre a marcha de Maringá, não só do dia, mas dos acontecimentos e pensamentos em torno da movimentação.
Participei da 1º Marcha das Vadias em Maringá, antes disso, havia participado do evento de "lançamento" da marcha que abordou os motivos que levavam ela a ser feita nesta cidade. Considero importante um evento deste porte na cidade, ainda mais se tratando de Maringá, uma cidade extremamente conservadora, diriam alguns provinciana, ouvi muitos comentários negativos em relação ao que foi feito, muitas pessoas ficaram horrorizadas com o que viram, o que!? Mulheres protestando contra o machismo e querendo direitos iguais?! Ainda por cima, algumas com seios de fora!? Alguns ficaram chocados e não perceberam que não se tratava de promiscuidade gratuita, mas sim, de alerta ao danos do machismo, da opressão que sofre a mulher e ainda é colocada como culpada; não se tratava de querer direitos para se vestir como puta, mas de se vestir como quiser, poder fazer e ter direito de se igualar aos homens, ter salários iguais, não ser vista como objeto e até o mais elementar e que se refere à preocupação de uma mãe: querer no mínimo uma creche para deixar seu filho enquanto trabalha.
Nós, homens, não temos noção do que é ser mulher, nosso machismo pode aflorar até em momentos considerados insignificantes, nem chegamos a perceber, tamanha pode ser a naturalidade com que encaramos certas coisas. Tento policiar minhas ações, tento não ser machista e sim um feminista, não é uma tarefa fácil, fui criado para ser homem assim como a maioria, recebendo ensinamentos que podem ser machistas da própria mãe, afinal de contas homem é homem, como diria uma música de mal gosto.
Antes da marcha em Maringá, tinha consciência da importância da luta das mulheres contra o machismo e por direitos, no mínimo, iguais aos dos homens, mas quando ocorre algo significante, como a manifestação, paramos para pensar melhor e tomamos maior dimensão do tamanho do problema, principalmente quando junto disso, assistimos palestras e corremos atrás de mais informações, aí sim, a realidade nos toma de assalto e é capaz de nos espantar, certas coisas que consideramos ou não reparamos que existem no cotidiano batem á nossa porta: ouvir relatos de pais que sequer deixam seus filhos homens tomar suco num copo rosa parece algo de outro mundo ou século longínquo; sem contar coisas mais cruéis, como histórias de pessoas que sofreram agressões e a coerção em torno da mulher ou das meninas para que façam coisas de menina.
Infelizmente, nem todos param para pensar adequadamente quando têm a oportunidade, não conseguem quebrar a barreira do seu conservadorismo, não têm a mente aberta para propiciar o debate, parecem discos riscados que reproduzem sempre o mesmo som, sempre os mesmos argumentos mal construídos, incapazes de transcender uma observação rasa. Deste modo, se coloca a necessidade, não só das mulheres, mas de todos os oprimidos nas mais diversas circunstâncias e tempos, de duvidar de tudo que é certo ou naturalizado, procurar quebrar barreiras e suscitar a discussão em torno de temas polêmicos, se coloca a necessidade de problematizarmos nossos dogmas e organizarmos formas de mudança, chamar a atenção para o que está errado e levantar soluções, precisamos apontar e corrigir falhas, a sociedade precisa ser debatida para que possa ser mudada, se coloca a luta dos oprimidos contra o conservadorismo dos que oprimem.
A nota mais negativa da marcha das vadias em Maringá fica por conta da imprensa local, ou parte dela que prestou um desserviço ao debate e à questão. Acompanhei a cobertura de dois canais, no primeiro, começaram bem, dando apoio à luta das mulheres e colocando sua necessidade por direitos iguais aos dos homens, mas no fim, o apresentador acabou fazendo o velho discurso de culpabilizar as vítimas de estupro por se vestirem de forma, julgada, promíscua, um terrível erro; quanto à segunda emissora, coitados! O apresentador, é triste pensar em um ser humano assim, é um lixo, se negou a comentar sobre a marcha das vadias em Maringá, deu sinais de que falaria bobagem e daquelas bem preconceituosas, dá pra ver que na casa dele lugar de mulher é na cozinha e calada, pobre coitado! Morrerá na ignorância de sequer entrar no debate. O pior de tudo, é que estes infelizes formam a dita opinião pública e influenciam muito as pessoas, devem ter faltado à algumas aulas do curso de jornalismo sério.
A marcha foi importante, o primeiro passo foi dado e os próximos devem ser melhor refletidos, encontrar erros e os significados que devem ser dados nas próximas, mais do que colocar o debate, é importante ampliá-lo, esclarecê-lo para que não ocorram desenganos aos desinformados, ficam os frutos mas também os desafios.
Minha atenção foi chamada com a marcha e os eventos que dela fizeram parte(eventos de esclarecimento tão importantes quanto a manifestação, tem de ser investido e divulgado mais isso nossos próximos anos) ,espero que de tantos outros também. Mais do que nunca, os homens devem se aliar às mulheres e não vê-las como inimigas ou subalternas, que os pais não se preocupem em tornar seus filhos homens em machos e as meninas em damas recatadas subservientes, mas sim, seres humanos iguais, independentemente do sexo, só isso. Vamos perder nossos preconceitos e sermos todos vadios e todas vadias, iguais!
domingo, 3 de junho de 2012
Palavras não explicam tudo, há um sentimento inesperado
Certas coisas não podem ser ditas
Nem expressadas
Apenas sentidas
E escorrem através das lágrimas
Numa época em que não se pode mais chorar
O lamento tem de ser interno
Será apenas o seu inferno
Mas nem tudo é eterno
A gente sempre espera passar, quieto!
É uma luta eterna contra a dor
Porém, é preciso lembrar:
O sorriso pode voltar
Então,
Novamente, certas coisas não podem ser ditas
Nem expressadas
Apenas sentidas
E aparecem na forma de riso
Mas o processo não é fácil,
Nem simples,
Mas delicado
Exige cuidado
Nada pode sair errado
Que venha o inesperado!
Nem expressadas
Apenas sentidas
E escorrem através das lágrimas
Numa época em que não se pode mais chorar
O lamento tem de ser interno
Será apenas o seu inferno
Mas nem tudo é eterno
A gente sempre espera passar, quieto!
É uma luta eterna contra a dor
Porém, é preciso lembrar:
O sorriso pode voltar
Então,
Novamente, certas coisas não podem ser ditas
Nem expressadas
Apenas sentidas
E aparecem na forma de riso
Mas o processo não é fácil,
Nem simples,
Mas delicado
Exige cuidado
Nada pode sair errado
Que venha o inesperado!
quarta-feira, 30 de maio de 2012
O que é amizade?
Certas coisas da vida
parecem óbvias demais para serem questionadas, elas simplesmente são
o que são ou é melhor que não a questionemos para evitar
problemas, é o que me parece ser a amizade. Mas, nos últimos tempos
tenho me questionado muito sobre o que é amizade, quem posso
considerar um amigo? Justamente porque não sinto que tenho amigos,
não pertenço a nenhum círculo, a não ser por dois sujeitos que
moram em Itajaí e que vou com a cara deles, aliás são gêmeos, se
não o fossem, talvez fosse apenas um indivíduo no mundo que eu
consideraria como um verdadeiro amigo, além dos cidadãos da
minha família. Poderiam dizer que meus dois amigos, na verdade são meus melhores amigos e os outros são apenas amigos, mas não é o que me parece. Algumas pessoas poderão se ofender com o que acabei
de escrever, mas não é minha intenção magoar alguém, considero a
maioria das pessoas como conhecidas e por muitas tenho um sentimento especial, espero poder explicar o motivo da diferenciação.
Procurando num
dicionário qualquer, encontrei algumas definições de amizade: 1- Sentimento de Amigo; afeto que liga as pessoas. 2- Reciprocidade de afeto. 3- Benevolência. 4- Amor. Acho que amizade é algo que não tem uma explicação única, destas que se encontra em um dicionário e pronto! Depende mais do sentimento e do que pensa cada um sobre as relações que estabelece com os outros ao seu redor.
Mas então, cara pálida, o que é amizade para mim? Não raramente encontramos críticas às relações que A SOCIEDADE (utilizamos na terceira pessoa, geralmente, quando é algo ruim, portanto não nos incluímos no grupo, são os outros, não eu!) estabelece nos dias atuais, como sendo efêmeras; rasas; sem conteúdo; mas em geral superficiais; penso que em grande parte é verdade. Talvez seja isto que sinto, mas no geral, não me percebo próximo a ninguém, me aproximo de algumas pessoas, mas são momentos passageiros que logo cessam; não fico à vontade com quase ninguém. Já com aqueles que considero como amigos, assim como na presença dos meus parentes, me sinto bem, confortável, percebo que há uma relação contínua e sincera. Vejo como amigos os que estabeleço uma relação maior que as vividas na aula; militância ou no trabalho, onde as diversas "esferas da vida" se misturam, quando passo a reconhecer e ser melhor reconhecido no ambiente com outros e transcendo um objetivo direto e imediato, que é mais do que obrigação, passa a ser vontade, chamar e ser chamado, agregar e se sentir parte de um todo; quando pensar em sair, lembrar daquele AMIGO; pelas circunstâncias da vida, acabar conhecendo cada vez melhor o AMIGO a ponto de vê-lo como membro da família e perceber que ele e você já constituem, juntamente a outros, uma nova família; saber que pode contar e o AMIGO saber também ter certeza que pode contar contigo sem mesmo dizer alguma palavra, que mesmo quando dita, não parece forçada, mas sim, natural, espontânea e o que chamariam de vinda do coração.
Não consigo considerar amigo o cidadão que encontro só na aula; só no trabalho ou em lutas de interesse comum e que estabeleço diálogos esporádicos, considero necessário ultrapassar este estágio corporativo e ir para algo além, que talvez nem esteja claro na minha cabeça, mas é um estado de espírito, algo somente sentido e difícil de explicar, embora tente e me questione muito a respeito, mas que tem de ser vivido e experienciado no transcorrer dos dias, ultrapassando a medida do tempo.
Os que não se enquadram no que disse em relação à amizade, são conhecidos, embora reconheça que entre os chamados conhecidos existam pessoas com quem me relaciono muito bem e até diria que estou em processo de construção de amizade, mas não consigo enxergar como amigos ainda. Também não tenho inimigos (espero, ao menos não alimento tal tipo de ideia), o que considero importante e saudável.
Me pergunto sobre os parâmetros que utilizo, talvez sejam rígidos demais, alicerçados numa nostalgia ou num saudosismo que nunca foi concreto e floresce em momentos de fraqueza; será que este é o novo padrão e não percebi? Talvez o problema seja só comigo, talvez ainda não tenha me enquadrado e seja apenas mais um desajustado.
Me pergunto sobre os parâmetros que utilizo, talvez sejam rígidos demais, alicerçados numa nostalgia ou num saudosismo que nunca foi concreto e floresce em momentos de fraqueza; será que este é o novo padrão e não percebi? Talvez o problema seja só comigo, talvez ainda não tenha me enquadrado e seja apenas mais um desajustado.
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