domingo, 17 de março de 2013

Para alguém que foi feliz

Não que seja motivo de orgulho
nenhum remédio
nenhuma terapia
e num belo  dia ela se solta
"livre, linda e louca"

Jamais pensei em vê-la daquele jeito
dançando incansavelmente
ensandecida, mas feliz
sorridente

para além das amarras da timidez
para além de todos os problemas comportamentais
desligando o mundo das aparências
ao menos por alguns instantes
enquanto a alegria da embriaguez lhe possuía

não sei como ela está agora
talvez com dor de cabeça

certas experiências são necessárias
a ousadia precisa emergir
para que a rotina se desfaça
e conheça um mundo de "mistério e fantasias"
onde tudo é mais fácil

o combustível é um líquido
libertando espíritos adormecidos
ao menos por uma noite você será feliz
descobrirá novos significados
como a lógica dos outros funciona
a partir daí tudo fará sentido


Mais um devaneio

Fecho os olhos
tudo fica escuro (obviamente)
sinto o vazio
vazio presente na claridade
não há necessariamente um explicação
ela tenta me levar a ver todos
vem de repente
inspiro por alguns segundos
solto o ar
e tudo se vai
vem a calmaria
mais alguns segundos de vazio se vão
penso numa música
me levo ao passado
ele não desprende de mim
nem toda dor que é real
mas nem tudo é físico
novamente, falta explicação
mesmo junto de mil pessoas
o zero parece preponderar
fico olhando para o vazio
todos se mexem
como se eu não estivesse lá
não sei, mas eu rio, notando a contradição daquilo que passa na mente
qualquer pensamento fora do lugar
qualquer vazio sem motivo

sábado, 9 de março de 2013

Quem dera...

Quem dera o caminho fosse reto
Quem dera tudo fosse certeza
Quem dera respostas simples bastassem
Quem dera um mundo sem contradição
Quem dera levassem em conta minha opinião

Quem dera bastasse o mesmo som
Quem dera gostar de todo mundo 
Quem dera sempre ser sincero
Quem dera ser sempre otimista
Quem dera não tomar a postura errada, a omissão
Quem dera fosse só mais um refrão... de rima barata

Quem dera as pessoas lessem e refletissem sobre o que postam
aliás, só postam!
Quem dera tudo fosse perfeição! 
Não tenha essa ilusão (de que chegaremos lá)

Quem dera o pensamento bastasse
Quem dera pudéssemos dispensar a ação
Quem dera fosse inanição 

Quem dera o que penso não existisse
Quem dera o controle fosse mecânico
Quem dera se eu não fosse vulgar
Quem dera saber escrever (algo decente)
Quem dera saber o que é paz
Quem dera ser preciso e paciente

Quem dera
Quem dera
Quem dera 

e

Quem dera...se os questionamentos tivessem fim (não é isso que desejo)
Melhor parar de idealizar... quem dera fosse apenas tentação.


domingo, 20 de janeiro de 2013

A velha história de ser a melhor do Paraná...

  Faz tempo que não passo por aqui para escrever alguma coisa, levei a sério esse negócio de férias, mas a velha história de a UEM (Universidade Estadual de Maringá) ser eleita a melhor universidade do estado já me incomoda, principalmente quando vejo os alunos da instituição se gabando deste título, como se ele representasse excelência de fato, mas, na realidade, só mascara o sucateamento da educação, o que me motivou a escrever isto aqui.
  Já perdi as contas de quantos anos seguidos a UEM ganha este título de melhor do Paraná, obviamente, a instituição faz questão de alardear isto, estes títulos ajudam a conseguir ou a pleitear alguns recursos em um canto ou outro, sem contar o status adquirido, gostaria eu que isso representasse, efetivamente, uma grande qualidade do campus.
   A melhor universidade do Paraná não tem uma política de assistência estudantil decente, pautada em bolsa trabalho e no restaurante universitário (RU), restaurante que ficará fechado este ano por OITO MESES e ninguém havia pensado numa alternativa para isto até o DCE questionar os responsáveis; quando foi apresentada uma alternativa, ela está longe de ser a ideal, enquanto o RU serve três mil refeições diárias, a proposta apresentada pretende servir entre quatrocentas e oitocentas diárias, sem café da manhã. Vale lembrar que apenas o campus sede possui RU, os campi ficam reféns de cantinas ou restaurantes privados que cobram um valor mais elevado. Para quem não sabe, o RU cobra um preço bem abaixo do mercado por suas refeições, o que viabiliza a permanência de muitos alunos na universidade.
  Na melhor do Paraná, novos cursos foram abertos recentemente, mas não havia blocos e salas disponíveis para as novas turmas, tendo aula em qualquer lugar ou até mesmo embaixo de escadas; também não havia professores contratados, tendo que contratar temporários ou pegar "emprestados" com outros departamentos. Mas não são apenas os cursos novos que sofrem com isso, os outros também.
   A falta de funcionários não se restringe aos professores, faltam vigias e zeladores, eles mesmos colocam avisos nos quadros pedindo que os alunos colaborem na limpeza e organização porque há falta de pessoal - embora os alunos possam e devam colaborar com isso, mesmo que o quadro de funcionários estivesse completo.
  Até aqui, falei de coisas bem gerais, se você partir para as necessidades específicas de cada curso, a lista é interminável, cada vez que o DCE reúne os cursos para reivindicar pautas, surgem milhões de outros problemas.
  Meu objetivo não é desmerecer a UEM, lugar onde estudo, o próprio fato de a universidade ser pública e gratuita já é uma grande conquista para a população, só não quero que fechemos os olhos para os problemas que a universidade tem e eles são sérios. Não quero esconder a realidade sob títulos, ser a melhor do Paraná não significa que não temos problemas, não podemos nos iludir, este título não significa nada quando ainda temos muito a melhorar, tanto quanto "as universidades que ficaram para trás" nesta concorrência. Você, aluno da UEM, se preocupe em lutar para melhorar sua universidade que fica cada dia mais precária e não em se gabar de um título ilusório, a realidade é bem mais obscura na UEM, não caracterizada em apenas uma honraria.

domingo, 28 de outubro de 2012

Nossos sonhos não cabem nas urnas.

  Mais um ano de eleição, vejo pessoas cheias de esperança, principalmente os oposicionistas que esperam virar a mesa e conseguir seu lugar na estrutura burocrática do Estado para fazerem A MUDANÇA, de forma engraçada dizem tentar a alteração SEGURA, ou seja, não há proposta diferente. Evidentemente, vejo os desesperançosos com a política feita hoje e se resumem a dizer que é tudo a mesma coisa, enfim, dizem que tanto faz votar no 13 ou no 45, o que de fato, não está errado, pois os projetos não são qualitativamente diferentes e não trazem rupturas com os grandes problemas sociais (fome, saúde, transporte, segurança, educação e o capitalismo para resumir).
  É claro que não podemos esperar as condições para mudar radicalmente a sociedade, pois elas podem demorar e não estão no horizonte a curto prazo, por isso, não adianta se "entregar" e deixar a política de lado, até porque não há como fazer isso, nossa vida é política todos os dias, mesmo você não querendo. Se ausentar do espaço político é deixar que decidam sua vida sem você, então, não basta comparecer nas urnas e pensar que tudo está feito, precisamos cobrar todos os dias, agir quando insatisfeitos com o que é realizado, sei que não é fácil, trabalhamos, estudamos, etc, e não nos resta tempo, mas precisamos encontrá-lo, faz parte do desafio.
  Enfim, confesso que não estou motivado a escrever nos últimos tempos, por isso terminarei com o que escrevi impulsivamente, logo após ter descoberto o resultado das eleições onde moro e ver alguns comentários de petistas insatisfeitos com sua derrota:
 "O Feudo Barros continua sob controle e suas ovelhas obedientes, conservadoras como o seu pastor gosta. Viva Maringá!
Mas eleger o PT não significaria nenhuma mudança considerável, só mudaríamos o patrão que distribui dinheiro para suas empresas favoritas. É engraçado ver as declarações dos petistas inconformados, como se seu projeto fosse radicalmente contrário ao que está posto e vai continuar po
r pelo menos quatro anos. As filas nos postos de saúde continuariam, a passagem do transporte continuaria um absurdo, as ruas da classe média continuariam asfaltadas e os bairros largados, não se iludam com a 'mudança segura', não se trata de eleger o menos ruim.
Nunca é exagero lembrar que nossos sonhos não cabem nas suas urnas, enquanto a população esperar dois anos para achar que vai mudar tudo nas eleições, nada mudará".
  

domingo, 16 de setembro de 2012

Considerações sobre o filme: Entre os Muros da Escola


Fiz este texto para a disciplina de Didática depois de assistir o filme. Recomendo o filme, aliás.
Uma realidade escolar difícil não parece ser exclusividade do Brasil, principalmente quando se trata de escola pública, embora o discurso vigente seja o de valorização da educação por sua capacidade transformadora da sociedade.
Entre os Muros da Escola apresenta uma realidade que pode parecer estranha a muitos, geralmente, os países desenvolvidos não são apresentados por seus problemas internos, mas apenas por seus avanços, a desgraça nos parece como exclusividade dos países pobres e periféricos.
Filmes não podem ser encarados como a própria realidade, mas sim, uma representação da mesma. Levando isso em consideração, Entre os Muros da Escola nos apresenta quem constitui a escola pública da periferia em um grande centro, são os pobres e imigrantes que tentam construir suas vidas na França, principalmente aqueles estrangeiros de origem africana.
Embora o aspecto multicultural que compõe a escola seja um prato cheio para se discutir através do que foi apresentado no filme, me concentrarei neste pequeno texto sobre outras especificidades, como a autoridade do professor e os limites da punição.
Quem tem mais força e maior autoridade dentro do colégio, em qualquer instância do ensino, é o professor, geralmente ele decide como as coisas serão feitas, coloca regras, impõe limites e é dele o discurso do vencedor sobre o que ocorre dentro de uma sala de aula. Realmente, nos marcos de hoje, cabe pouco ao aluno o que fazer, além, é claro, do medo de perseguição do professor contra qualquer reclamação, são poucos que têm a ousadia de questionar a autoridade professoral, mesmo quando o fazem, sempre vem a pergunta: o que você fez para o professor reagir assim? Embora o aluno tenha direitos, o próprio acesso para que tenha conhecimento não lhe é apresentado.
Outro problema que uma instituição escolar pode enfrentar é o da bagunça, desentendimentos e outros tipos de questões que até extrapolam os limites do colégio. Quando alguém infringe uma regra vem a punição, conforme a reincidência outras medidas são tomadas, dependendo da gravidade da infração o aluno pode até ser expulso. Até onde a punição surte enfeito positivo? Até onde ela é o melhor caminho? Ela realmente resolve as querelas mais diversas que podem existir no espaço escolar? Se a punição não resolve, o que fazer? A premiação poderia ser um caminho para aqueles que “seguem na linha” e aí criando um exemplo para os “infratores”, seria interessante criar a classe dos premiados e a dos não premiados?
Essas são algumas questões e inquietações que o filme me trouxe para a reflexão, qual seria o melhor modelo para a educação e seus problemas? Parece-me que as atuais circunstâncias não são as mais favoráveis e interessantes, precisamos repensar a escola.

As surpresas de uma corrida

  Mais um domingo quente em Maringá, não dá vontade de fazer muita coisa (não que não tenha uma pilha de livros e trabalhos a fazer, aliás, nos últimos três anos sempre há o que fazer quando se trata de estudo), mais um dia entediante pela frente, mas havia um plano para o fim de tarde: correr!
  Me parece inexplicável a sensação de felicidade proporcionada pelo esporte, ao final da atividade você fica ofegante mas rindo à toa, sensacional, o riso sai fácil e seu corpo é inundado por uma boa sensação que lhe acompanha por algum tempo.
  Na maioria das vezes, o trajeto da corrida ou ela em si não apresentam nada de muito diferente, de certa forma, ela entra em uma rotina também, embora não tenha conseguido manter a regularidade como outrora. Mas em alguns dias, coisas inesperadas acontecem, você enxerga uma cena interessante, encontra algum conhecido, é testemunha de algum acidente, toma um banho de chuva, enfim, correr na rua pode lhe proporcionar momentos marcantes. 
  Hoje foi um dia de corrida surpreendente, comecei meu trajeto mais frequente no Bosque Dois, o que tem mais subidas, depois de correr uns dois quilômetros(não sei ao certo, sou péssimo em citar altura ou distâncias no chute, só sei que já havia corrido uma relativa boa distância), então fui ultrapassado por uma guria, até aí nada de estranho. A guria me ultrapassou em alta velocidade, fazia tempo que não via alguém correr tanto.
  Logo adiante eu me surpreendi, ultrapassei a guria que havia me ultrapassado(está claro?), pouco tempo depois ela me ultrapassou novamente, ela não saiu da vista, um pequeno lapso de tempo depois eu a ultrapassei e até tirei uma relativa distância, um tempo se passou e ela me ultrapassou de novo, dali para frente não fui mais capaz de alcançá-la, mas a mantive ao alcance da visão até o fim. O que há de surpreendente nisso? Acabei, possivelmente, correndo mais do que correria sozinho, até porque faz tempo que não coloco uma regularidade nos meus exercícios como um ano atrás e acabo fazendo um trote leve na maioria das vezes, mas prazeroso do mesmo modo. Eu diria que me motivei e corri mais rápido pela competição boba de hoje e por isso me surpreendi, sem contar que foi divertido, me serviu para ter certeza que meu preparo físico deixa a desejar no momento e que não competíamos em condições iguais, pois ela me parecia muito bem e "ganhou" por boa distância. Às vezes, uma competição esportiva, sem querer e inesperada, pode ser interessante.